Dados nacionais sobre a violência contra as mulheres

- Pesquisa Ibope / Instituto Avon - percepções sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil 2009 (acesse a versão resumida em pdf - 2,81 MB ou completa em ppt 5,44 MB)
- Pesquisa Ibope / Themis 2008 - dois anos de Lei Maria da Penha: o que pensa a sociedade (saiba mais)
- Dados estatísticos sobre a violência contra a mulher no Amapá (2004 a 2006)
- Pesquisa nas delegacias de mulheres do Rio aponta que as mulheres agredidas apóiam a proibição da venda de armas de fogo
- Pesquisa sobre violência sexual - Unifesp
- Pesquisa sobre abuso sexual de mulheres por padres - Católicas pelo Direito de Decidir
- Pesquisa DataSenado sobre Violência Doméstica Contra a Mulher
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Atitudes frente à violência contra a mulher - Pesquisa Ibope - Instituto Patrícia Galvão (2004)
- A mulher brasileira nos espaços público e privado (2001) - Fundação Perseu Abramo
- Violência contra a mulher e saúde no Brasil - OMS / FMUSP / CFSS / SOS Corpo / FSPUSP / UFPE- Violência doméstica e sexual entre usuárias dos serviços de saúde - Depto. de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP
- Vitimização 2002 - Ilanud e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
- Violências Públicas e Privadas - Nupevi/Instituto de Medicina Social/UERJ
- Homens, violência de gênero e saúde sexual reprodutiva - Noos / Promundo
- Dados sobre violência contra a mulher no Estado de São Paulo - Fundação Seade
- Serviço de atendimento a vítimas de violência no Hospital Pérola Byington - União de Mulheres de São Paulo
- Mapa da Violência contra a Mulher em São Paulo - OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
- Mapeamento Nacional de Pesquisas sobre Violências contra as Mulheres - NIGS/UFSC

Atitudes frente à violência contra a mulher (2004)

Realização

O que pensa a sociedade sobre a violência contra as mulheres
Violência contra a mulher é o problema que mais preocupa homens e mulheres

Acaba de ser concluída pesquisa inédita sobre violência contra a mulher encomendada pelo Instituto Patrícia Galvão ao Ibope Opinião, com apoio da Fundação Ford. Realizada em setembro de 2004, a pesquisa trabalhou com uma mostra representativa da população adulta brasileira.

Foram realizadas 2.002 entrevistas pessoais em todos os estados brasileiros, capitais e regiões metropolitanas. Cidades menores foram selecionadas probabilisticamente, dentro da proporcionalidade por tamanho de município. A margem de erro máximo, para o total da amostra, é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O intervalo de confiança estimado é de 95%.

Principais resultados

A partir de uma lista de problemas, homens e mulheres reconhecem que a violência contra a mulher, tanto dentro como fora de casa, é o problema que mais preocupa.

· 30% apontam a violência contra a mulher dentro e fora de casa em primeiro lugar, na frente de uma série de outros problemas, como câncer de mama e de útero (17%) e a Aids (10%). Os indicadores de preocupação com a questão de violência não mostram diferenças entre os sexos, tampouco na maioria das variáveis estudadas. Isto é, trata-se de um problema amplamente difundido no conjunto da sociedade. Mas algumas diferenças são importantes: a preocupação com a violência doméstica (dentro de casa) é mais significativa nas regiões Norte e Centro-Oeste, chegando a 62% das respostas.

§ 91% dos brasileiros consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos. As mulheres são mais enfáticas (94%), mas, ainda assim, 88% dos homens concordam com a alta gravidade do problema.

§ A percepção da gravidade da violência contra a mulher se confirma quando 90% dos brasileiros acham que o agressor deveria sofrer um processo e ser encaminhado para uma reeducação. O contraste entre a quase unanimidade destas opiniões e a realidade concreta na vida das mulheres é gritante. São poucos os casos que chegam a processo e escassas as instituições que lidam com reeducação do agressor.

§ A idéia de que a mulher deve agüentar agressões em nome da estabilidade familiar é claramente rejeitada pelos entrevistados (86%), assim como o chavão em relação ao agressor, “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, que é rejeitado por 80% dos entrevistados.

§ Com relação ao chavão conformista “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, há diferenças significativas e culturalmente relevantes: as mulheres (83%) tendem a rejeitar mais do que os homens (76%); os mais jovens (83%) mais do que os mais velhos (68%).

§ Em uma pergunta que pede um posicionamento mais próximo daquilo que o entrevistado pensa, 82% respondem que “não existe nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher”. Em contrapartida, 16% (a maioria homens) conseguem imaginar situações em que há essa possibilidade. Observa-se que 19% dos homens admitem a agressão, assim como 13% das mulheres.

§ Homens e mulheres fazem o mesmo diagnóstico: 81% dos entrevistados apontam o uso de bebidas como o fator que mais provoca violência contra a mulher; em segundo lugar, mencionado por 63% de entrevistados, vêm as situações de ciúmes em relação à companheira ou mulher.

§ Menos importantes, mas citadas por três em cada dez entrevistados, vêm as questões econômicas: desemprego (37%) e problemas com dinheiro (31%). 13% citam a eventualidade de falta de comida em casa e 14% dificuldade no trabalho.

§ É opinião geral, em todos os segmentos da amostra, que os que mais perdem nas situações de violência doméstica são os filhos do casal: assim pensam 63% dos entrevistados. 14% das mulheres dizem que elas perdem mais e 16% dos homens se reconhecem como os maiores perdedores. O que estes números sugerem é que todos perdem quando há violência na casa.Trata-se de um flagelo e uma epidemia que atinge a todos.

Veja mais informações sobre esta pesquisa

Realização: Fundação Perseu Abramo

Uma em cada cinco brasileiras declara espontaneamente já ter sofrido algum tipo de violência por parte de um homem.
A cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil.

Comentários sobre violência contra a mulher extraídos da análise realizada pelo Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo. Acesse a íntegra com gráficos e tabelas em http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/index.php?storytopic=253

Cerca de uma em cada cinco brasileiras (19%) declara espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência por parte de algum homem

Um terço das mulheres (33%) admite já ter sido vítima, em algum momento de sua vida, de alguma forma de violência física (24% de ameaças com armas ao cerceamento do direito de ir e vir, de 22% de agressões propriamente ditas e 13% de estupro conjugal ou abuso).

27% sofreram violências psíquicas e 11% afirmam já ter sofrido assédio sexual. Um pouco mais da metade das mulheres brasileiras declara nunca ter sofrido qualquer tipo de violência por parte de algum homem (57%).

Tipos de agressão

Dentre as formas de violência mais comuns destacam-se a agressão física mais branda, sob a forma de tapas e empurrões, sofrida por 20% das mulheres; a violência psíquica de xingamentos, com ofensa à conduta moral da mulher, vivida por 18%, e a ameaça através de coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de agressão, vivida por 15%.
12% declaram ter sofrido a ameaça de espancamento a si próprias e aos filhos e também 12% já vivenciou a violência psíquica do desrespeito e desqualificação constantes ao seu trabalho, dentro ou fora de casa.
Espancamento com cortes, marcas ou fraturas já ocorreu a 11% das mulheres, mesma taxa de ocorrência de relações sexuais forçadas (em sua maioria, o estupro conjugal, inexistente na legislação penal brasileira), de assédios sexuais (10% dos quais envolvendo abuso de poder), e críticas sistemáticas à atuação como mãe (18%, considerando-se apenas as mulheres que têm ou tiveram filhos).
9% das mulheres já ficaram trancadas em casa, impedidas de sair ou trabalhar; 8% já foram ameaçadas por armas de fogo e 6% sofreram abuso, forçadas a práticas sexuais que não lhes agradavam.

A projeção da taxa de espancamento (11%) para o universo investigado (61,5 milhões) indica que pelo menos 6,8 milhões, dentre as brasileiras vivas, já foram espancadas ao menos uma vez. Considerando-se que entre as que admitiram ter sido espancadas, 31% declararam que a última vez em que isso ocorreu foi no período dos 12 meses anteriores, projeta-se cerca de, no mínimo, 2,1 milhões de mulheres espancadas por ano no país (ou em 2001, pois não se sabe se estariam aumentando ou diminuindo), 175 mil/mês, 5,8 mil/dia, 243/hora ou 4/minuto - uma a cada 15 segundos.

Freqüência e duraçãoEntre as mulheres que já sofreram espancamento, 1/3 (32%) afirma que isso só aconteceu uma vez, enquanto outras 20% diz ter ocorrido 2 ou 3 vezes. A declaração de espancamento por mais de 10 ou várias vezes é comum a 11% das mulheres que já passaram por isso, além de 15% que não determinam a quantidade, mas o tempo que ficaram expostas a esse tipo de violência. Há mulheres que sofrem ou sofreram espancamentos por mais de 10 anos, ou mesmo durante toda a vida (4%, ambas).

Quem são os agressoresA responsabilidade do marido ou parceiro como principal agressor varia entre 53% (ameaça à integridade física com armas) e 70% (quebradeira) das ocorrências de violência em qualquer das modalidades investigadas, excetuando-se o assédio. Outros agressores comumente citados são o ex-marido, o ex-companheiro e o ex-namorado, que somados ao marido ou parceiro constituem sólida maioria em todos os casos.

Pedido de ajudaEm quase todos os casos de violência, mais da metade das mulheres não pede ajuda. Somente em casos considerados mais graves como ameaças com armas de fogo e espancamento com marcas, cortes ou fraturas, pouco mais da metade das vítimas (55% e 53%, respectivamente) recorrem a alguém para ajudá-las.
O pedido de ajuda perante ameaças de espancamento à própria mulher ou aos filhos; tapas e empurrões e xingamentos e agressões verbais ocorre em pouco menos da metade dos casos (46%, 44% e 43%, respectivamente).
Cerca de pouco mais de um terço das mulheres pediram ajuda quando vítimas de impedimento de sair, sendo trancadas em casa; quebra-quebra em casa; assédio sexual e críticas sistemáticas à atuação como mãe. Nas demais situações de violência o pedido de ajuda é inferior a 30%.
Em todos os casos de violência, o pedido de ajuda recai principalmente sobre outra mulher da família da vítima - mãe ou irmã, ou a alguma amiga próxima.

DenúnciasOs casos de denúncia pública são bem mais raros, ocorrendo principalmente diante de ameaça à integridade física por armas de fogo (31%), espancamento com marcas, fraturas ou cortes (21%) e ameaças de espancamento à própria mulher ou aos filhos (19%).

Causas e fatoresO ciúme desponta como a principal causa aparente da violência, assim como o alcoolismo ou estar alcoolizado no momento da agressão (mencionadas por 21%, ambas), razões que se destacam, em respostas espontâneas sobre o que acreditam ter causado a violência sofrida, superando em larga escala as demais menções.

Políticas públicasComo proposta de combate à violência contra a mulher, a criação de abrigos para mulheres e seus filhos, vítimas de violência doméstica, é a que merece maior adesão (43% na primeira resposta, 74% na soma de 3 menções), dentre oito ações de políticas públicas sugeridas.
Criação de Delegacias Especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência (21%) aparece como segunda principal medida de combate à violência contra a mulher, seguida por um serviço telefônico gratuito - SOS Mulher e um serviço de atendimento psicológico para as mulheres vítimas de violência (propostas empatadas tecnicamente com 13% e 12%, na ordem).
Quando aceitas como respostas múltiplas, o ranking é semelhante, com taxas evidentemente mais altas (74%, 60%, 44% e 51%, respectivamente).

Durante o ano 2001 o Núcleo de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo estudou o universo feminino e formulou 125 perguntas, aproximadamente, para uma pesquisa nacional inédita sobre mulheres com uma amostra de 2.502 entrevistas pessoais e domiciliares, estratificadas em cotas de idade e peso geográfico por natureza e porte do município, segundo dados da Contagem Populacional do IBGE/1996 e Censo IBGE 2000. O NOP perguntou às mulheres de 15 anos ou mais, residentes em 187 municípios de 24 estados das 5 macrorregiões brasileiras, entre os dias 06 e 11 de outubro, a respeito de temas como saúde, trabalho, sexualidade, violência, educação, trabalho doméstico, cultura política e lazer.

Fonte: Fundação Perseu Abramo. Acesse a íntegra com gráficos e tabelas em http://www2.fpa.org.br/portal
/modules/news/index.php?storytopic=253

 

Violência Contra a Mulher e Saúde no Brasil - Estudo Multipaíses da OMS sobre Saúde da Mulher e Violência Doméstica

Realização: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em parceria com duas organizações da sociedade civil: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, de São Paulo, e SOS Corpo – Gênero e Cidadania, de Pernambuco, além de pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP e do Núcleo de Saúde Pública da Universidade de Pernambuco.

Realizada entre 2000 e início de 2001, a pesquisa apresenta dados sobre a ocorrência da violência, o impacto na saúde das mulheres e crianças, lesões decorrentes da violência, violência durante a gravidez, busca de ajuda, ajuda institucional, saída de casa e razões para ficar ao lado do agressor.

A pesquisa foi realizada simultaneamente em 8 países, sob a coordenação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Em todos esses estudos foram pesquisadas uma grande cidade e uma região de características rurais.

· 27% das mulheres na cidade de São Paulo e 34% na Zona da Mata pernambucana relataram algum episódio de violência física cometida por parceiro ou ex-parceiro,

· 10% das mulheres em São Paulo e 14% na Zona da Mata disseram já haver sido:

· forçadas fisicamente a ter relações sexuais quando não queriam, ou

· forçadas a práticas sexuais por medo do que o parceiro pudesse fazer, ou

· forçadas a uma prática sexual degradante ou humilhante.

· A violência física e/ou sexual cometida alguma vez na vida pelo parceiro foi relatada por 29% das mulheres na cidade de São Paulo e 37% na Zona da Mata em Pernambuco.


Impacto da violência na saúde das mulheres e crianças

· As mulheres que relataram violência declararam com maior freqüência o uso diário de álcool e problemas relacionados à bebida nos últimos 12 meses.

· Os filhos de 5 a 12 anos de mulheres que referiram violência apresentam mais problemas, como pesadelos, chupar dedo, urinar na cama, ser tímido ou agressivo.

· Na cidade de São Paulo, as mães que declararam violência relataram maior repetência escolar de seus filhos de 5 a 12 anos; na Zona da Mata, maior abandono da escola.

 

 


Lesões decorrentes da violência

· 11% em São Paulo e 13% na Zona da Mata relataram haver sofrido lesões, tais como cortes, perfurações, mordidas, contusões, esfolamentos, fraturas, dentes quebrados, entre outras.

· Dentre as mulheres que relataram lesões, 36% ficaram tão machucadas que necessitaram assistência médica. Destas mulheres, 22% em São Paulo disseram haver passado uma noite no hospital devido ao trauma físico e 20% na Zona da Mata.

Violência durante a gravidez
· 8% na cidade de São Paulo e 11% na Zona da Mata relataram violência física durante a gravidez. Dentre estas, 29% das mulheres em São Paulo e 38% na Zona da Mata contam que receberam "socos ou pontapés na barriga durante a gravidez".

· Em São Paulo, entre as mulheres que relataram violência física e sexual, 28% fizeram um aborto. Entre as que não relataram violência, 9% recorreram à prática do aborto. Na Zona da Mata, entre as mulheres que relataram violência física e sexual, 8% realizaram ao menos um aborto, enquanto entre as que não relataram violência o índice é de 3%. Essas diferenças foram estatisticamente significativas.

Busca de ajuda
· 22% das mulheres em São Paulo e 24% na Zona da Mata nunca haviam relatado a violência a ninguém; para estas, a pesquisa foi a primeira oportunidade para o relato.

Tiveram que sair de casa

· Quatro entre dez das mulheres que relataram violência na cidade de São Paulo (41%) tiveram que sair de casa pelo menos uma vez por causa das agressões, enquanto na Zona da Mata mais de cinco em cada dez (52%) tiveram que sair de casa pela mesma razão.

Razões para ficar
· Quando perguntada sobre os motivos para continuar na relação apesar da violência, a resposta mais freqüente foi que “perdoou o parceiro” (31% na Zona da Mata e 32% na cidade de São Paulo), seguida de “não queria deixar as crianças” (29% na Zona da Mata e 25% em São Paulo) e, em terceiro lugar, o “amor pelo parceiro” (23% em São Paulo e 24% na Zona da Mata).

Violência cometida por outros agressores
· A violência física sofrida após os 15 anos e que foi cometida por outro agressor que não o parceiro foi referida por 21% das mulheres em São Paulo e 13% na Zona da Mata.

· Relataram violência sexual após os 15 anos 7% das mulheres em São Paulo e 5% na Zona da Mata.

· A violência sexual antes dos 15 anos foi relatada por 12% das mulheres em São Paulo e 9% na Zona da Mata. Este dado foi colhido anonimamente, através do preenchimento de uma cédula

Leia o release de divulgação da pesquisa em http://www.agende.org.br/oms/FolhetoViolência-2111021.htm

Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas com as integrantes do Grupo de pesquisa na linha Violência e Gênero das práticas de saúde Departamento de Medicina Preventiva / Faculdade de Medicina da USP: Profa. Lilia Blima Schraiber, Profa. Ana Flavia P.L. D'Oliveira ou Profa. Marica Thereza C. Falcão (11) 3066 7085 / 3066 7094
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www.usp.br/medicina/departamento/mpr


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Violência doméstica e sexual entre usuárias dos serviços de saúde

Realização: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

· 40% das mulheres entrevistadas relataram violência física e/ou sexual por parceiro, sendo que 5% relataram casos exclusivos de violência sexual.

As pacientes do Centro de Saúde Escola da Barra Funda (CSE) e do Centro de Referência e Treinamento em Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS (CRT/AIDS) foram as que apresentaram as maiores taxas de violência física e/ou sexual, com mais de 50% das usuárias entrevistadas relatando casos de violência conjugal.

Invisibilidade da violência

· Dos 1.902 prontuários lidos, apenas 4 tinham registros de violência física. Todos estes casos foram de violência cometida por parceiro e também foram relatados na aplicação do questionário.

· Menos de 1% dos casos de violência física e/ou sexual sofrida alguma vez na vida e que foram relatados na pesquisa haviam sido registrados em prontuário durante o atendimento usual no serviço de saúde.

Violência física por parceiro durante a gravidez

· Entre as mulheres que já engravidaram, 17% referiram ao menos um episódio de violência física durante a gravidez. Novamente, os núcleos CSE Barra Funda e CRT/AIDS apresentaram as maiores taxas de violência: 25% e 23%, respectivamente.

Violência cometida por outros agressores

· Em torno de 20% das usuárias entrevistadas nos 9 núcleos relataram violência física e/ou sexual cometida por outras pessoas (familiares, conhecidos e estranhos), sendo que as maiores taxas encontradas são, mais uma vez, nos núcleos CSE Barra Funda e CRT/AIDS (36%).

· Os outros agressores da violência física antes e após os 12 anos foram em sua maioria os familiares (74%), seguidos por conhecidos – vizinhos, amigos ou colegas de trabalho, patrão etc. – (16%) e estranhos (10%).

· Os outros agressores da violência sexual após os 12 anos foram em sua maioria estranhos (54%); porém, ao analisar os agressores da violência sexual antes dos 12 anos, os familiares responderam por 76% dos casos.

A pesquisa foi realizada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo nas unidades básicas de saúde e ambulatórios médicos, que são portas de entrada da rede pública de saúde.

Mais informações sobre a pesquisa com as integrantes do Grupo de pesquisa na linha Violência e Gênero das práticas de saúde Departamento de Medicina Preventiva / Faculdade de Medicina da USP: Profa. Lilia Blima Schraiber, Profa. Ana Flavia P.L. D'Oliveira ou Profa. Marica Thereza C. Falcão (11) 3066 7085 / 3066 7094
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Vitimização 2002

Realização: I lanud / FIA-USP / Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República

 

A pesquisa foi feita em conjunto pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Fundação Instituto de Administração da USP (FIA-USP) e Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente (Ilanud).

Seu objetivo foi estimar a prevalência de certos crimes, as taxas de subnotificação, o sentimento de insegurança e o grau de conhecimento e avaliação da população com relação ao PIAPS – Programa de Prevenção a Violência Urbana gerenciado pelo Gabinete de Segurança Institucional. A responsabilidade pela interpretação dos resultados cabe exclusivamente ao Ilanud.

A pesquisa foi feita com 2800 entrevistados, maiores de 16 anos, moradores das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Vitória. Os entrevistados foram selecionados por sorteio probabilístico e as entrevistas – 700 em cada cidade - foram feitas nos domicílios dos entrevistados, durante os meses de abril e maio de 2002.

A análise da pesquisa pode ser acessada em http://www.ilanud.org.br/vitimiza.htm

Foram selecionadas abaixo as ocorrências referentes à agressão sexual.

 

Período de ocorrência, por tipo de crime e cidade (%)

Quando aconteceu o crime (2002)

Total

SP

RJ

RE

VI

Agressão sexual este ano

36

49

12

17

30

 

Local do crime, por tipo de crime e cidade (%)

Onde aconteceu (perto / na própria casa)

Total

SP

RJ

RE

VI

Agressão sexual

48

46

45

66

54

 

Local do crime, por tipo de crime e escolaridade (%)

Onde aconteceu (perto / na própria casa)

até 1º grau

2º grau

Superior

Agressão sexual

25

13

8

 

Notificação por tipo de crime e renda (%)

Notificação do Crime

até 400

401/800

801/1600

mais de 1600

Agressão sexual

36

4

7

1

 

Notificação por tipo de crime e escolaridade (%)

Notificação do crime

até 1º grau

2º grau

Superior

Agressão sexual

34

41

37

 

Relação com os agressores por tipo de crime e escolaridade (%)

Não conhecia os agressores

até 1º grau

2º grau

Superior

Agressão sexual

68

69

92

 

Presença de arma no incidente por tipo de crime e cidade (%)

Agressor tinha arma

total

SP

RJ

RE

VI

Agressão sexual

44

42

46

51

33

 

Fonte: Pesquisa de Vitimização Ilanud / FIA / GSI, 2002 .

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Violências Públicas e Privadas

Realização: Núcleo de Estudos das Violências (Nupevi). Pesquisa principal desenvolvida no PPGSC/IMS/UERJ, a qual estão vinculados vários subprojetos.

Subprojetos

Estudo sobre a Influência da Violência Familiar no Processo de Desnutrição Infantil
Magnitude e Caracterização da Violência Familiar em Nível Populacional
Pesquisa Amostral de Vitimização nas Cidades do Rio de Janeiro e Belo Horizonte
Redes de Tráfico de Drogas e Estilos de Consumo
Violência Contra a Mulher Grávida como Fator de Propensão da Prematuridade no Recém-Nascido
Violência Familiar no Âmbito dos Serviços de Saúde
Violência, Pobreza e Identidade Masculina
Mais informações com Alba Maria Zaluar -
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ou Michel Schiray - Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

http://www.ims.uerj.br/nupevi

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Homens, violência de gênero e saúde sexual e reprodutiva: um estudo sobre homens no Rio de Janeiro (2003)

Realização: Institutos Noos e Promundo

Trata-se do primeiro estudo sobre violência de gênero realizado com homens no Brasil abordando sua correlação com questões de saúde sexual e reprodutiva.
Este relatório apresenta os resultados de um estudo qualitativo e quantitativo sobre violência de gênero e saúde sexual e reprodutiva, com homens de faixa etária entre 15 e 59 anos, em dois bairros da cidade do Rio de Janeiro — Bangu e Botafogo —, envolvendo três comunidades: duas de baixa renda e uma de classe média.

Alguns resultados:

O estudo revela que 25,4% dos homens afirmaram ter usado violência física pelo menos uma vez e que quase 40% disseram ter usado violência psicológica, pelo menos uma vez, contra sua parceira íntima – incluindo insultos, humilhação ou ameaças verbais. No total, 51,4% desses homens usaram algum tipo de violência – física, psicológica ou sexual – contra sua parceira íntima pelo menos uma vez. O uso de violência contra mulheres, neste estudo, encontra-se associado ao baixo nível educacional e ao fato de os homens terem sido vítimas ou testemunhas de violência contra as mulheres em suas famílias de origem.

Quinze por cento (15%) do total dos homens pesquisados relataram ter contraído DST ao menos uma vez; entretanto, apenas 42% deles informaram suas parceiras sobre o problema. Quanto ao fato de ser vítima e/ou testemunha de violência, 40% dos homens disseram ter testemunhado violência de um homem contra uma mulher em suas famílias de origem, e 45,5% informaram ter sido vítimas de violência física em casa.

O estudo faz comparações sobre o uso de violência por homens de diferentes níveis de rendimento, faz associações sobre o uso de preservativo e incidência de DSTs e comenta as justificativas apresentadas para o uso de violência contra as parceiras.

Acesse a íntegra da pesquisa em [ Download em Português ]

 

Estudo de Caso: "Projeto de Jovem para Jovem":Engajando Homens Jovens na prevenção de violência e na saúde sexual e reprodutiva
Realização: Instituto Promundo

Este “estudo de caso” apresenta a experiência do Instituto Promundo no envolvimento de homens jovens na prevenção da violência de gênero e na promoção da saúde sexual e reprodutiva.
O projeto baseou-se em uma pesquisa que, inicialmente, identificou homens jovens “mais eqüitativos” nas relações de gênero do que outros jovens na comunidade, e identificou fatores que contribuíram para estes comportamentos e atitudes.
Uma outra pesquisa adicional – com aspectos qualitativo e quantitativo – identificou barreiras para o uso do preservativo, o que conduziu a uma estratégia de marketing social de preservativos planejada com e para homens jovens.

Download em Português

 

Outro projetos desenvolvidos pelo Instituto Noos

Violência intrafamiliar: um olhar sobre homens autores de violência(agosto 2000 - fevereiro 2001)

Projeto de aplicação de penas e medidas alternativas aos homens autores de violência intrafamiliar e de gênero

Prevenção de violência intrafamiliar e de gênero em parceria com homens

Gênero, gerações e direitos humanos: monitorando e capacitando para o trabalho de prevenção à violência intrafamiliar e de gênero

Cidadania, gênero e gerações: capacitando para o trabalho de rede para a prevenção à violência intrafamiliar

Homens de bem

Mais detalhes sobre os projetos em http://www.noos.org.br/projetos.html

 

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Dados sobre violência contra as mulheres no Estado de São Paulo

Realização: Fundação Seade

Mais da metade das ocorrências de estupro registradas nos distritos policiais e nas delegacias especializadas de defesa da mulher no Estado de São Paulo nem chega a resultar em inquérito policial.
A apuração da maior parte dos casos de estupro – considerado crime hediondo, com pena de seis a dez anos de prisão – não vai além do boletim de ocorrência, segundo levantamento da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) referente ao período de 1997 a 2002.
Sobre
violência contra a mulher no Estado de São Paulo

Estupros
Atentados Violentos ao Pudor e Lesões Corporais Dolosas
Cadastro de Delegacias de Defesa da Mulher
Atendimentos realizados nas Delegacias de Defesa da Mulher
Funcionamento da Justiça Criminal
População Carcerária

 

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Serviço de atendimento a vítimas de violência no Hospital Pérola Byington

Realização: União de Mulheres de São Paulo

A União de Mulheres desenvolveu no Hospital da Mulher Pérola Byington, em São Paulo, o projeto “Implantação do Serviço de Atendimento aos Casos de Violência Doméstica”. Em uma primeira etapa, o projeto procurou conhecer a dinâmica de funcionamento do hospital e sensibilizar funcionárias/os e diretoria para o reconhecimento da violência doméstica como um problema de saúde pública. A segunda etapa corresponde à efetiva implementação do serviço.

Mais informações com Maria Amélia de Almeida Teles, da União de Mulheres de São Paulo, tel.: (11) 3106.2367 ou Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

 

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Mapa da Violência Contra a Mulher em São Paulo

Realização: OAB-SP

Com base nos registros de ocorrências da malha de delegacias especializadas no atendimento à mulher, a Comissão da Mulher Advogada da OAB-SP preparou o ma pa estatístico da violência contra as mulheres em todo o Estado de São Paulo registradas em 2004.

Foram classificadas agressões diversas, como lesões corporais dolosas, maus-tratos, calúnia, difamação, constrangimento, ameaça, estupros, tentativas de estupros, atentado ao pudor e crimes sexuais sem violência.

“Em todo o Estado foram registrados mais de 132 mil casos de violência contra a mulher, apenas nos cinco primeiros meses desse ano, mas o número pode ser muito maior, porque muitas mulheres não fazem boletim de ocorrência por medo ou vergonha”, diz a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Maria Elisa Munhol.

Na capital paulista, os dados provêm das nove subseções da Delegacia da Mulher: Centro, Sul, Oeste, Norte, Leste, Santo Amaro, São Miguel, São Mateus e Pirituba, que juntas contabilizam 21.888 casos com algum tipo de violência contra a mulher, mas apenas 241 prisões efetuadas.

O bairro de Santo Amaro registrou, neste período, o maior número de ocorrências com 4.903 casos, incluindo, entre outros, 1.146 lesões corporais dolosas, 1.094 ameaças e 11 estupros. Também foi o bairro onde a Delegacia da Mulher mais efetuou prisões: 152. São Miguel Paulista vem em seguida com 4.179 casos registrados, sendo 923 lesões corporais; 1.321ameaças e 10 estupros. Foram 22 prisões.
Conforme o mapa, a região central revela-se a área com maior incidência de crimes sexuais. Houve 40 estupros, sendo 12 de autoria conhecida e 28 de autoria desconhecida, além de duas tentativas de estupros e cinco atentados violentos ao pudor. No entanto, teve a segunda menor taxa de lesões corporais dolosas, atrás apenas de Pirituba, que tem o maior número de boletins de ocorrência por constrangimento ilegal.
Em relação ao interior de São Paulo, foram analisados os dados de 116 municípios com Delegacias de Defesa da Mulher, que efetuaram 110.956 registros. Depois da Capital, a Região Metropolitana de Campinas, formada por 19 municípios e com 2,3 milhões de habitantes mostra-se a mais violenta contra a mulher. Em apenas sete desses municípios foram realizados 8.602 registros. Entre eles, Americana se destaca com 3.619 casos.
No interior, as grandes cidades também são as campeãs em crimes sexuais. Guarulhos lidera com 25 estupros contabilizados, seguida de Campinas com 22, Franca com 13, Ribeirão Preto com 12 e Santo André com oito. Entre todos os municípios analisados, apenas 26 não registraram crimes de estupro ou atentado ao pudor no período.
Fonte:
release da Assessoria de Imprensa da OAB-SP . Mais informações: (11) 3291-8179 / 8182.

Acesse os dados completos desse levantamento em Excel.

Mapeamento Nacional de Pesquisas e Publicações sobre Violências contra as Mulheres

Realização: Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (NIGS) da Universidade Federal de Santa CatarinaO projeto pretende realizar um grande levantamento de publicações e trabalhos de pós-graduação produzidos no Brasil nos últimos 25 anos (1978-2003) sobre várias violências sofridas pelas mulheres em particular (doméstico/conjugal, abuso sexual, assédio sexual, institucional, etc) e de gênero em geral (especialmente violência contra homossexuais).

O objetivo é catalogar os trabalhos que vêm sendo realizados, dando visibilidade a esta produção cada vez mais necessária como fundamentação para as políticas públicas de violência doméstica e de gênero.

Mais informações em http://www.nigs.ufsc.br ou com o Nigs ( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ).

A tentativa de suicídio é mais freqüente entre mulheres que sofrem violência. Tanto em São Paulo como na Zona da Mata as mulheres que sofreram violência relataram de 2 a 3 vezes mais a intenção e a tentativa de suicídio do que aquelas que não sofreram.