
| Cuidados ao entrevistar | Array Imprimir Array |
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A seguir, alguns comentários que podem ser úteis na relação de jornalistas com as vítimas e os autores de violência: Além dos preparativos que todo/a profissional deve fazer antes de redigir uma matéria, como ler a respeito do assunto e conversar com especialistas, é importante ter um cuidado redobrado ao entrevistar uma mulher, menina ou homem que viveu uma situação de violência. É preciso ter em mente que a experiência da violência é extremamente dura e permanece viva durante muito tempo na mente e no coração da vítima e também do autor, mesmo que este queira negar a violência. Ainda que esta pessoa tenha consentido previamente em conversar com a/o jornalista, a entrevista pode fazê-la reviver a violência, o que pode ser extremamente difícil ou até insuportável para ela, que pode mudar de idéia e desistir de conceder a entrevista, decisão que deve ser respeitada. Procure mostrar delicadeza, tato, empatia e paciência É importante não confinar a pessoa ao lugar de vítima. Procure mostrar que quer ouvi-la, que entende que ela passou por momentos difíceis e que não está lá para fazer qualquer espécie de julgamento, nem sobre o comportamento dela nem sobre o do agressor (não esqueça que, em muitos casos, a mulher mantém uma relação de intimidade e afetividade com o autor da violência). Pode ser que não seja possível concluir a entrevista no mesmo dia. Talvez seja mais conveniente voltar outro dia em que ela se sentir com condições de falar a respeito. Cuidados com imagens e voz Antes de gravar imagens ou voz, é importante realizar uma avaliação, juntamente com essa pessoa e a/o profissional que a indicou, sobre o grau de risco ao qual ela poderá estar sendo exposta. Se ela autorizar a gravação, mas não quiser ser identificada, permitindo apenas que sejam feitas imagens de costas ou borradas e com a voz distorcida, procure certificar-se de que o resultado será satisfatório, isto é, que realmente não será possível identificar a pessoa. No caso de uma criança O cuidado deve ser ainda maior. Não apenas porque se trata de uma criança, isto é, de um ser ainda em formação e fragilizado pela violência vivida, mas porque se deve respeitar integralmente seus direitos, conforme estabelece o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). |