
| Pesquisa Ibope - Instituto Patrícia Galvão 2004 |
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Violência contra a mulher é o problema que mais preocupa homens e mulheres Trata-se de uma pesquisa inédita sobre violência contra a mulher, encomendada pelo Instituto Patrícia Galvão ao Ibope Opinião, com apoio da Fundação Ford. Realizada em setembro de 2004, a pesquisa trabalhou com uma mostra representativa da população adulta brasileira. Acesse arquivo PDF (178Kb) contendo a íntegra da análise dos dados da pesquisa realizada por Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisa de opinião e sócia-fundadora do Instituto Patrícia Galvão. Foram realizadas 2.002 entrevistas pessoais em todos os estados brasileiros, capitais e regiões metropolitanas. Cidades menores foram selecionadas probabilisticamente, dentro da proporcionalidade por tamanho de município. A margem de erro máximo, para o total da amostra, é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O intervalo de confiança estimado é de 95%. PRINCIPAIS RESULTADOS A partir de uma lista de problemas, homens e mulheres reconhecem que a violência contra a mulher, tanto dentro como fora de casa, é o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade.
Violência Doméstica É Preocupação Mais Citada A partir de uma lista de problemas, observa-se que o problema da violência contra a mulher é central na percepção dos entrevistados. Quando se agrupam os três problemas mais importantes, o destaque para a violência doméstica se amplia para 50% dos respondentes, violência fora de casa e assédio sexual passam a ser citados por 36%, no mesmo patamar que doenças como câncer de mama e de útero. Pergunta: Aqui estão alguns assuntos que as mulheres têm, nos últimos tempos, discutido bastante. Na sua opinião, qual destes temas mais preocupa a mulher brasileira atualmente? (1º +2º +3º lugar)
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. (*) Respostas múltiplas. Preocupação com a violência doméstica é mais significativa nas regiões Norte e Centro-Oeste Os indicadores de preocupação com a questão de violência não mostram diferenças entre sexo, tampouco na maioria das variáveis estudadas. Isto é, trata-se de um problema amplamente difundido no conjunto da sociedade. Mas algumas diferenças são importantes: a preocupação com a violência doméstica é mais significativa nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde chega a 62% das respostas. À parte questões culturais, pode-se levantar, entre outras, a hipótese da provável ausência de equipamentos preventivos (delegacias da mulher, por exemplo). O assédio sexual e a violência na rua são questões que preocupam as mulheres mais jovens - que mais estão, no seu cotidiano, fora de casa - e as mulheres de maior renda e com escolaridade média. PERFIL DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER (Consideram o problema que mais preocupa, citam 3 da lista de problemas)
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. Agressão à mulher é considerada um problema muito grave Do total de entrevistados, 91% consideram muito grave o fato de mulheres serem agredidas por companheiros e maridos. Entre as mulheres esse percentual chega a 94% e, entre os homens, 88%. Pergunta: Muitas mulheres são agredidas pelos companheiros e maridos dentro de casa. O/a sr./a considera este problema sofrido pelas mulheres.....
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. A percepção da gravidade da violência contra a mulher se confirma quando se constata que 90% dos entrevistados consideram que o agressor deveria ser processado e encaminhado para uma reeducação. É interessante observar o contraste entre a quase unanimidade destas opiniões e a escassez de casos que são transformados em processo judicial e ainda mais escassas as instituições que trabalham com reeducação de agressores. 84% concordam que o agressor deveria ser penalizado, inclusive com cadeia. Na mesma direção, 77% não concordam com que os atos de violência contra as mulheres não sejam considerados criminosos. Não há variações significativas ao longo dos diferentes segmentos da amostra. REJEIÇÃO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES Pergunta: Destas frases comumente ditas pelo povo sobre agressão contra as mulheres, gostaria de saber se o/a sr./a concorda ou discorda de cada uma delas:
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. A idéia de que a mulher deve agüentar agressões em nome da estabilidade familiar é claramente rejeitada pelos entrevistados (86%), assim como o chavão em relação ao agressor, “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, que é rejeitado por 80% dos entrevistados. Cantado em música, sucesso nas paradas de discos mais vendidos, o verso “Tapa de amor não dói” não pegou entre os entrevistados: 82% deles discordam da idéia. Esta taxa não varia significativamente na maioria dos segmentos, mas, como era de se esperar, as mulheres (87%) rejeitam mais do que os homens (75%).
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. Com relação ao chavão conformista “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, há diferenças significativas e culturalmente relevantes: as mulheres (83%) tendem a rejeitar mais do que os homens (76%); e os mais jovens (83%), mais do que os mais velhos (68%). Revelando uma vulnerabilidade social, a rejeição é menor entre os entrevistados menos escolarizados (69%) e os de menor renda (73%) do que entre os de camadas mais privilegiadas de renda (90%) e escolaridade (92%). Discordam da frase: “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele” SEXO RENDA IDADE ESCOLARIDADE
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. O velho ditado que diz que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ainda tem boa aceitação na média geral (66%), mas há importantes diferenças, sobretudo em relação à escolaridade do entrevistado. Quanto mais escolarizado, menos o ditado é aceito: 47% entre os que têm curso superior e 72% entre os que têm apenas o ensino básico (até 4a. série). Mas a indiferença frente à agressão fica mais no imaginário do ditado, pois traduzindo de outra forma 57% dos entrevistados concordam com a interferência de uma pessoa que presencie uma cena de um homem batendo numa mulher.
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. Mesmo a frase que contém a maior provocação - “mulher que trai até que merece apanhar” - que reflete o espírito de leis antiquadas e tem a conivência da ficção de massa nas telenovelas, é rejeitada por 59% dos entrevistados. Mas as diferenças sociais são eloqüentes, o grau de escolaridade e o de renda afetam esta atitude mais do que qualquer outra variável.
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. Nem com uma flor... De outro lado, em todos os segmentos, quase ninguém consegue discordar do “clichê” que diz “em uma mulher não se bate nem com uma flor”. Assim dito 88% dos respondentes concordam e 10% discordam. O que é - de certa forma - surpreendente. Não há variações, a não ser regionais e de sexo. Entre os sulistas 78% concordam e 20% discordam. Entre homens 14% discordam e entre mulheres ainda são 8%.
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. OS LIMITES DA TOLERÂNCIA Existem permissivos para a agressão contra a mulher? As repostas anteriores mostram um núcleo minoritário de entrevistados, sobretudo homens, que respondem afirmativamente. Em uma pergunta que pede um posicionamento mais próximo daquilo que o entrevistado pensa, 82% respondem que “não existe nenhuma situação que justifique a agressão do homem a sua mulher”. Em contrapartida, 16% conseguem imaginar situações, provavelmente vividas por eles (maioria homens), em que há essa possibilidade. Podemos dizer que 19% dos homens admitem a agressão, assim como 13% das mulheres. São menos tolerantes à agressão os entrevistados de maior renda (89%) e escolaridade mais alta (93%). No Nordeste 74% não tolerariam agressão em nenhuma circunstância, ou seja, nesta região um em cada quatro respondentes admite situações em que um homem possa agredir a mulher. Neste caso o tamanho das cidades onde vivem os entrevistados chega a influir sensivelmente; dos moradores de cidades grandes (mais de 100 mil habitantes) apenas 12% justificam a agressão; nas cidades médias e pequenas já são 20%. A ausência de equipamentos como delegacias da mulher pode explicar esta diferença. Pergunta: Qual destas duas posições mais se aproxima daquilo que você pensa?
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. SITUAÇÕES QUE PROVOCAM A VIOLÊNCIA Homens e mulheres fazem o mesmo diagnóstico: 81% das entrevistados apontam o uso de bebidas como o fator que mais provoca violência contra a mulher; em segundo lugar, mencionado por 63% de entrevistados, vêm as situações de ciúmes em relação à companheira ou mulher. Menos importantes, mas citadas por três em cada dez entrevistados, vêm as questões econômicas: desemprego (37%) e problemas com dinheiro (31%). 13% citam a eventualidade de falta de comida em casa e 14% dificuldade no trabalho. Outras razões menos citadas são: problemas familiares (18%); recusa da mulher em fazer sexo (16%); desobediência da mulher (16%) e gravidez (4%). 41% dos entrevistados das classes mais abastadas (A/B) apontam a situação de problemas com dinheiro, uma taxa muito acima dos entrevistados mais pobres. Dos entrevistados das classes D/E, apenas 25% indicam essa causa. Assim como a desobediência da mulher é mais citada entre estes (19%) do que entre os mais ricos (8%) Pergunta:Na sua opinião, quais destas situações mais provocam a agressão dos homens contra as mulheres? SEXO CLASSE
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. OS FILHOS SÃO OS QUE MAIS PERDEM COM A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA É opinião geral, em todos os segmentos da amostra, que os que mais perdem nas situações de violência doméstica são os filhos do casal: assim pensam 63% dos entrevistados. 14% das mulheres dizem que elas perdem mais, enquanto 16% dos homens se reconhecem como perdedores. O que estes números sugerem é que todos perdem quando há violência na casa. Trata-se de um flagelo e uma epidemia que atinge a todos. Pergunta: Na sua opinião, em casa onde tem violência contra a mulher, quem perde mais? SEXO CLASSE
Fonte: Ibope - Instituto Patrícia Galvão, 2004. METODOLOGIA DA PESQUISA Campo: de 9 a 14 de setembro de 2004. Universo e amostra: população brasileira de 16 anos ou mais. Foram realizadas 2.002 entrevistas pessoais, representativas da população adulta brasileira (mais de 16 anos). As entrevistas foram realizadas em 140 municípios. Todas as capitais e regiões constaram da amostra. Margem de erro máxima: 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre os resultados com base no total da amostra (intervalo de confiança estimado de 95%). SEGMENTAÇÃO DA AMOSTRA
Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2004. |