Pesquisa Ibope - Instituto Patrícia Galvão 2006

PERCEPÇÃO E REAÇÕES DA SOCIEDADE SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Apoio: Fundação Ford e UNIFEM

Pesquisa nacional realizada em maio de 2006 -antes, portanto, da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 07/08/06).

Pesquisa aponta percepção de impunidade para violência contra a mulher

Acesse a íntegra da análise dos dados da pesquisa realizada por Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisa de opinião e sócia-fundadora do Instituto Patrícia Galvão em PDF (244Kb)

PRINCIPAIS RESULTADOS

Cresce preocupação com a violência contra a mulher

De 2004 a 2006 aumentou o nível de preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do país, menos no Norte / Centro-Oeste, que já tem o patamar mais alto (62%). Nas regiões Sudeste e Sul o nível de preocupação cresceu, respectivamente, 7 e 6 pontos percentuais. Na periferia das grandes cidades esta preocupação passou de 43%, em 2004, para 56%, em 2006.

• 33% apontam a violência contra as mulheres dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade.

• 51% dos entrevistados declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro.

• Em cada quatro entrevistados, três consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e que a justiça trata este drama vivido pelas mulheres como um assunto pouco importante.

• 54% dos entrevistados acham que os serviços de atendimento a casos de violência contra as mulheres não funcionam.

• Nove em cada 10 mulheres lembram de ter assistido ou ouvido campanhas contra a violência à mulher na TV ou rádio.

• 65% dos entrevistados acreditam que atualmente as mulheres denunciam mais quando são agredidas. Destes, 46% atribuem o maior número de denúncias ao fato de que as mulheres estão mais informadas e 35% acham que é porque hoje elas são mais independentes.

• 64% acham que o homem que agride a mulher deve ser preso (na opinião tanto de homens como mulheres); prestar trabalho comunitário (21%); e doar cesta básica (12%). Um segmento menor prefere que o agressor seja encaminhado para: grupo de apoio (29%); ou terapia de casal (13%).

• Perguntados sobre o que acham que acontece quando a mulher denuncia, 33% dos entrevistados afirmaram que “Quando o marido fica sabendo, ele reage e ela apanha mais”; 27% responderam que não acontece nada com o agressor; 21% crêem que o agressor vai preso; enquanto 12% supõem que o agressor recebe uma multa ou é obrigado a doar uma cesta básica.

PESQUISA APONTA PERCEPÇÃO DE IMPUNIDADE PARA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER 

Em cada quatro entrevistados, três consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e que a justiça trata este drama vivido pelas mulheres como um assunto pouco importante. Com relação aos serviços de atendimento, 54% dos entrevistados acham que os mesmos não funcionam. Esta percepção é maior na periferia das cidades (59%).

Por outro lado, 49% concordam que, de maneira geral, a Justiça brasileira pune os agressores e 60% acham que isso acontece nos casos de homicídios de mulheres.

Pergunta: Destas frases comumente ditas pelo povo sobre agressão contra as mulheres, gostaria de saber se concorda ou discorda de cada uma delas:

CONCORDAM

DISCORDAM

Amostra total em cada item

 %

%

De maneira geral, a sentença de doação de cesta básica não é levada a sério por homens agressores

76

18

Os homens que agridem as mulheres fazem isso porque sabem que não serão punidos

74

21

A Justiça brasileira trata a violência contra as mulheres como um assunto pouco importante

71

24

Os serviços de atendimento à mulher agredida não funcionam

54

37

De uma maneira geral, a Justiça brasileira pune os agressores em caso de morte de mulheres

60

34

De uma maneira geral, a Justiça brasileira pune os agressores em caso de violência contra as mulheres

49

44

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

CRESCE PREOCUPAÇÃO COM VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

33% apontam a violência contra as mulheres dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade. Em 2004 essa preocupação era apontada por 30% dos entrevistados. Em 2006, a questão da violência preocupa ainda mais que outros problemas listados, como câncer de mama e de útero (18%) e AIDS (12%).

Pergunta: Aqui estão alguns assuntos que as mulheres têm, nos últimos tempos, discutido bastante. Na sua opinião, qual destes temas mais preocupa a mulher brasileira atualmente? (Em 1º lugar)

Em 1º lugar

 

SET. 2004

MAI. 2006

Amostras totais

(2.002)

(2.002)

 

%

%

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER EM CASA

19

24

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER FORA DE CASA/ ASSÉDIO SEXUAL

11

9

DOENÇAS COMO CÂNCER DE MAMA E ÚTERO

17

18

AIDS E O CRESCIMENTO DA AIDS ENTRE MULHERES

10

12

IGUALDADE DE SALÁRIOS COM HOMENS

9

6

FALTA DE ALTERNATIVAS PARA DEIXAR FILHOS PARA TRABALHAR FORA

6

6

FORMAS DE EVITAR FILHOS

10

7

MENORES DE RUA

4

4

TER UMA PROFISSÃO QUE GOSTE

4

2

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

2

2

PARTICIPAÇÃO DA MULHER NA POLÍTICA

2

2

DIVIDIR TAREFAS DOMÉSTICAS COM COMPANHEIRO

2

3

DIREITO DO CONSUMIDOR

1

1

NENHUM / NÃO OPINOU

4

3

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

MAIORIA EXPRESSIVA LEMBRA DE CAMPANHAS NA MÍDIA

Este crescimento da preocupação da brasileira com a violência contra as mulheres pode estar associado à divulgação de campanhas na mídia alertando para o problema. Em 2006, depois da veiculação de diversas campanhas contra a violência à mulher (veja a seguir) e de uma reação positiva da cobertura da mídia sobre o tema, observa-se uma taxa significativamente alta de lembrança de comunicação sobre a violência contra a mulher. Nove em cada 10 mulheres têm alguma lembrança de campanha, assim como pessoas de 25 a 29 anos (89%) e escolaridade superior (91%).

Pergunta: Lembra de ter visto ou ouvido alguma campanha na TV ou no rádio nos últimos meses contra violência às mulheres?

Total: Sim = 84%; Não = 16%
Mulheres: Sim = 87%; Não = 13%
Homens: Sim = 81%; Não = 19%

Segmentos que se destacam:
De 25 a 29 anos: Sim = 89%
Escolaridade superior: Sim = 91%

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

Campanhas na Mídia sobre Violência Contra as Mulheres

Agende e organizações parceiras: 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres
Campanha do Laço Branco: Campanha do Laço Branco
Cfemea: As vitoriosas
Instituto Patrícia Galvão: Onde tem violência, todo mundo perde / Chega de esconder
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres: Sua vida recomeça quando a violência termina
Unifem: Bem-Querer Mulher

VIOLÊNCIA E SAÚDE DA MULHER CONTINUAM COMO OS PRINCIPAIS PROBLEMAS

A tabela a seguir, que compara as pesquisas de 2004 e 2006 em relação à percepção dos entrevistados sobre quais seriam as três principais preocupações da mulher brasileira, confirma este crescimento, sobretudo com relação à violência doméstica. Em 2006, 55% dos brasileiros percebem que esta é a questão que mais preocupa as mulheres.

Observa-se ainda um crescimento de 2004 a 2006 entre as principais preocupações apontadas pelos entrevistados acerca de doenças como câncer de mama e útero e crescimento da AIDS entre mulheres. Por outro lado, revela-se um pequeno declínio da preocupação com planejamento familiar, igualdade salarial e escolha de uma profissão por vocação.

Pergunta: Aqui estão alguns assuntos que as mulheres têm, nos últimos tempos, discutido bastante. Na sua opinião, qual destes temas mais preocupa a mulher brasileira atualmente? (Respostas múltiplas: 1º + 2º + 3º lugar*) 

  1º + 2º + 3º lugar          

 Pesquisas Ibope / Instituto Patrícia Galvão (2004 e 2006)

SET. 2004

MAI. 2006

Amostras totais

(2.002)

(2.002)

 

%

%

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER EM CASA

50

55

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER FORA DE CASA/ ASSÉDIO SEXUAL

36

40

DOENÇAS COMO CÂNCER DE MAMA E ÚTERO

39

44

AIDS E O CRESCIMENTO DA AIDS ENTRE MULHERES

26

30

IGUALDADE DE SALÁRIOS COM HOMENS

24

19

FALTA DE ALTERNATIVAS PARA DEIXAR FILHOS PARA TRABALHAR FORA

23

20

FORMAS DE EVITAR FILHOS

20

16

MENORES DE RUA

14

13

TER UMA PROFISSÃO QUE GOSTE

13

8

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

9

10

PARTICIPAÇÃO DA MULHER NA POLÍTICA

8

8

DIVIDIR TAREFAS DOMÉSTICAS COM COMPANHEIRO

7

10

DIREITO DO CONSUMIDOR

5

4

NENHUM, NÃO OPINOU

4

3

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
(*) Respostas múltiplas.

VIOLÊNCIA FORA DE CASA PREOCUPA MAIS AS MULHERES

Não há diferença entre a percepção de homens e mulheres com relação à preocupação com a violência doméstica (55%). No entanto, mais mulheres (42%) do que homens (38%) afirmam que a violência fora de casa é um tema de preocupação da brasileira na atualidade. É possível que a experiência vivida pelas mulheres no espaço público as torne mais vulneráveis e, portanto, mais sensíveis do que os homens a respeito da violência na rua e do assédio sexual.

É importante ressaltar a diferença entre os sexos no que diz respeito à preocupação com doenças como câncer de mama e útero: 39% dos homens e 49% das mulheres. Outro aspecto em que a pesquisa apresenta diferença significativa entre a percepção de homens e de mulheres é com relação à preocupação com menores de rua: 8% dos homens e 17% das mulheres.

Pergunta: Aqui estão alguns assuntos que as mulheres têm, nos últimos tempos, discutido bastante. Na sua opinião, qual destes temas mais preocupa a mulher brasileira atualmente? (1º + 2º + 3º lugar*)

1º + 2º + 3º lugar*       

Pesquisa Ibope / Instituto Patrícia Galvão (Maio 2006)

MULHERES

HOMENS

Amostras totais

(2.002)

(2.002)

 

%

%

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER EM CASA

55

55

VIOLÊNCIA CONTRA MULHER FORA DE CASA/ ASSÉDIO SEXUAL

42

38

DOENÇAS COMO CÂNCER DE MAMA E ÚTERO

49

39

AIDS E O CRESCIMENTO DA AIDS ENTRE MULHERES

32

28

IGUALDADE DE SALÁRIOS COM HOMENS

18

21

FALTA DE ALTERNATIVAS PARA DEIXAR FILHOS PARA TRABALHAR FORA

23

18

FORMAS DE EVITAR FILHOS

15

16

MENORES DE RUA

17

8

TER UMA PROFISSÃO QUE GOSTE

7

10

LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

10

9

PARTICIPAÇÃO DA MULHER NA POLÍTICA

6

9

DIVIDIR TAREFAS DOMÉSTICAS COM COMPANHEIRO

9

10

DIREITO DO CONSUMIDOR

4

4

Nenhum, não opinou

1

5

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
* Respostas múltiplas.

TODOS OS SEGMENTOS EXPRESSAM PREOCUPAÇÃO COM A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Conforme demonstrado, o crescimento da percepção sobre a preocupação da brasileira com a violência dentro de casa ocorreu em ambos os sexos nestes últimos 2 anos, porém mais intensamente entre moças e rapazes de 16 a 24 anos (9 pontos percentuais) e entre indivíduos de 30 a 39 anos (também 9 pontos percentuais). Os entrevistados com níveis médio e superior de escolaridade também apresentam crescimento (8 pontos percentuais). Observa-se ainda que aumentou o nível de preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do país, menos no Norte / Centro-Oeste, onde já tem o patamar mais alto (62%).

Nas regiões Sudeste e Sul o nível de preocupação cresceu, respectivamente, 7 e 6 pontos percentuais. Na periferia das grandes cidades esta preocupação passou de 43%, em 2004, para 56%, em 2006. Isto é, a periferia apresentou o maior crescimento de preocupação com a violência dentro de casa (13 pontos percentuais). Nas cidades médias esta preocupação cresceu 6 pontos percentuais.

PERFIL DA PREOCUPAÇÃO SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER DENTRO DE CASA (2004/2006)(Consideram o problema que mais preocupa a brasileira; citam 3 da lista*)

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER DENTRO DE CASA

SET. 2004

MAI. 2006

Amostras nos segmentos

   
 

%

%

TOTAL

50

55

Sexo

   

MULHERES

51

55

HOMENS

49

55

Idade

   

16 A 24 ANOS

51

60

25 A 29

55

57

30 A 39

46

55

40 E MAIS

49

52

Escolaridade

   

ATÉ 4ª SÉRIE

49

54

5ª A 8ª SÉRIE

53

52

ENSINO MÉDIO

50

58

ENSINO SUPERIOR

47

55

Regiões

   

NORTE / CENTRO-OESTE

62

62

NORDESTE

53

55

SUDESTE

47

54

SUL

45

51

Tipo de município

   

CAPITAL

55

56

PERIFERIA

43

56

INTERIOR

50

54

Tamanho de município

   

ATÉ 20 MIL ELEITORES

48

49

MAIS DE 20 MIL A 100 MIL

49

55

MAIS DE 100 MIL

51

56

Classificação social

   

CLASSE A/B

46

56

CLASSE C

47

54

CLASSE D/E

53

55

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
* Respostas múltiplas.

Observando-se o perfil de preocupação em relação à violência doméstica nos últimos 2 anos, pode-se dizer que houve uma maior homogeneização das taxas entre os diferentes segmentos e que a grande maioria ficou em torno da média total de 55%.

O segmento que mais apresentou crescimento e que está acima da média de preocupação é o de jovens de ambos os sexos de 16 a 24 anos (60%) e pessoas com ensino médio (58%).

Nos segmentos mais privilegiados (classes A/B e C) a preocupação cresceu cerca de 10 pontos percentuais, igualando-se à taxa do segmento D/E.

Assim, a pesquisa revela que a percepção sobre a preocupação com a violência contra a mulher atinge igualmente a maioria dos segmentos, mostrando um possível impacto de campanhas educativas e de ações de comunicação de massa.

PERFIL DA PREOCUPAÇÃO SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA RUA (2004/2006)
(Consideram o problema que mais preocupa a brasileira; citam 3 da lista*)

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA RUA / ASSÉDIO SEXUAL

SET. 2004

MAI. 2006

Amostras nos segmentos

   
 

%

%

TOTAL

36

40

Sexo

   

HOMENS

37

38

MULHERES

36

42

Idade

   

16 A 24 ANOS

43

42

25 A 29

37

39

30 A 39

34

44

40 E MAIS

31

31

Escolaridade

   

ATÉ 4ª SÉRIE

31

35

5ª A 8ª SÉRIE

38

39

ENSINO MÉDIO

42

45

ENSINO SUPERIOR

40

42

Regiões

   

NORTE / CENTRO-OESTE

35

47

NORDESTE

34

39

SUDESTE

39

40

SUL

34

34

Tipo de município

   

CAPITAL

40

41

PERIFERIA

34

40

INTERIOR

35

40

Tamanho de município

   

ATÉ 20 MIL ELEITORES

33

35

MAIS DE 20 MIL A 100 MIL

32

40

MAIS DE 100 MIL

40

42

Classificação social

   

CLASSE A/B

42

40

CLASSE C

40

42

CLASSE D/E

33

38

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
* Respostas múltiplas.

Observa-se um ligeiro crescimento da percepção da preocupação com a violência fora de casa e o assédio sexual nestes últimos 2 anos. Este crescimento foi mais intenso, sobretudo, entre as mulheres: a taxa passou de 36%, em 2004, para 42%, em 2006. No segmento das pessoas de 30 a 39 anos, o crescimento foi de 10 pontos percentuais, de 34%, em 2004, para 44%, em 2006. Nas regiões Norte / Centro-Oeste essa taxa passou de 35% para 47% e na periferia, de 34% para 40%. Nos domicílios médios passou de 32% para 40%.

Com relação à classe social, ocorreu também uma homogeneização da percepção da preocupação, mas, nesse caso, a preocupação com a violência fora de casa e o assédio cresceu mais entre os entrevistados da classe D/E.

51% CONHECEM CASOS DE AGRESSÕES A MULHERES

Do total de entrevistados, 51% declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro. Entre as mulheres este conhecimento é maior (54%). Os segmentos que expressam taxas maiores de familiaridade com esse drama são de pessoas de 25 a 29 anos (59%), com escolaridade superior (59%) e morador da periferia (57%).

Pergunta: Conhece ou não conhece alguma mulher que sofre ou já sofreu agressões de seu companheiro?

Total: Conhece = 51%; Não conhece = 49%
Mulheres: Conhece = 54%; Não conhece = 46%
Homens: Conhece = 47%; Não conhece = 53%

Segmentos que se destacam:
De 25 a 29 anos: Conhece = 59%
Escolaridade superior: Conhece = 59%
Morador da periferia: Conhece = 57%

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

MAIORIA CRÊ QUE HOJE AS MULHERES DENUNCIAM MAIS

A percepção de que hoje as mulheres denunciam mais as agressões (65%) está muito acima da realidade da oferta de equipamentos e serviços especializados na atenção da violência contra a mulher. Sabe-se que há uma grande concentração de equipamentos e serviços nas grandes cidades e capitais do país. Considerando que a disseminação de equipamentos e serviços é muito menor do que a percepção da denúncia, é possível deduzir que há nessa resposta uma demanda do conjunto da sociedade por estes serviços.

Pergunta: Pelo que tem observado, acha que as mulheres hoje denunciam mais quando são agredidas por seus companheiros?

Total: Sim = 65%; Não = 32%; Não sabe / não opinou = 3%
Mulheres: Sim = 65%; Não = 32%; Não sabe / ñ opinou = 3%
Homens: Sim = 66%; Não = 31%; Não sabe / ñ opinou = 3%

Segmentos que se destacam:
De 25 a 29 anos: Sim = 70%
Escolaridade superior: Sim = 75%
Regiões Norte / Centro-Oeste: Sim = 71%
Morador da Capital: Sim = 70%
Classe A/B: Sim = 74%

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

QUAIS SÃO AS RAZÕES PARA DENUNCIAR MAIS?

As observações anteriores são reforçadas quando se examinam as razões para o aumento destas denúncias. É maior a proporção daqueles que atribuem o maior número de denúncias à condição da mulher de hoje - mais informada e mais independente - do que à disponibilidade de serviços.

Pergunta: Na sua opinião, dentre essas opções, qual é a principal razão para que as mulheres denunciem mais? 

 

TOTAL

MULHERES

HOMENS

Para quem respondeu SIM

(1.304)

(675)

(629)

 

%

%

%

HOJE ELAS TÊM MAIS INFORMAÇÃO

46

45

47

HOJE AS MULHERES SÃO MAIS INDEPENDENTES

35

38

33

HOJE EXISTEM MAIS SERVIÇOS DE DENÚNCIAS

16

14

18

OUTRA RAZÃO / NÃO SABE / NÃO OPINOU

3

3

3

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

E AS RAZÕES PARA NÃO DENUNCIAR?

Do total de entrevistados, 32% acham que as mulheres não estão denunciando mais e as razões que apontam são: porque acreditam que a denúncia desagrega o casamento (25%) e só faz aumentar a violência em casa (28%). Há uma parcela (19%) que atribui o fato de a mulher não denunciar à impunidade do agressor, enquanto outra parcela (15%) aponta como causa a dependência econômica.

As razões da não-denúncia não variam entre homens e mulheres, com exceção da dependência econômica – as mulheres (18%) apontam mais essa razão do que os homens (12%).

Pergunta: Na sua opinião, dentre essas opções, qual é a principal razão para que as mulheres não denunciem mais?

 

TOTAL

MULHERES

HOMENS

Para quem respondeu NÃO

(638)

(338)

(300)

Porque …

%

%

%

A DENÚNCIA SÓ FAZ AUMENTAR A VIOLÊNCIA EM CASA

28

28

28

PARA PRESERVAR O CASAMENTO E A FAMÍLIA

25

24

26

NÃO ACONTECE NADA COM O AGRESSOR

19

18

20

ELA DEPENDE ECONOMICAMENTE DO COMPANHEIRO

15

18

12

NÃO TEM ONDE DENUNCIAR

3

3

4

FAMÍLIA / DELEGADO ACONSELHAM A NÃO DENUNCIAR

1

1

0

OUTRA RAZÃO

6

6

6

NÃO SABE / NÃO OPINOU

3

1

4

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

MAIORIA ACHA QUE AGRESSOR DEVE SER PUNIDO

A grande maioria dos entrevistados prefere as seguintes punições para o agressor: ser preso (64%, na opinião tanto de homens como mulheres); prestar trabalho comunitário (21%); e doar cesta básica (12%). Um segmento menor prefere que o agressor seja encaminhado para: grupo de apoio (29%); ou terapia de casal (13%).

Um dos chavões máximos da omissão –“Em briga de marido e mulher não se ete a colher”– já não é mais realidade; apenas 3% dos entrevistados escolheram a alternativa “Casos de agressão são problema do casal. Ninguém deve interferir”.

Pergunta: Na sua opinião, se um homem agride com freqüência sua companheira, o que deve acontecer com ele? (*)

 

TOTAL

MULHERES

HOMENS

Total da amostra

(2.002)

(1.045)

(957)

 

%

%

%

SER PRESO

64

64

65

SER ENCAMINHADO A CURSO OU GRUPO DE APOIO PARA AJUDÁ-LO A MUDAR O COMPORTAMENTO AGRESSIVO

29

33

25

SER OBRIGADO A PRESTAR TRABALHO COMUNITÁRIO

21

21

21

LEVAR ADVERTÊNCIA DE DELEGADO

17

16

19

PARTICIPAR DE TERAPIA DE CASAL

13

14

12

SER OBRIGADO A DOAR CESTA BÁSICA

12

12

13

CASOS DE AGRESSÃO SÃO PROBLEMA DO CASAL. NINGUÉM DEVE INTERFERIR

3

3

3

NÃO SABE / NÃO OPINOU

2

2

3

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
* Respostas múltiplas.

O QUE ACONTECE QUANDO A MULHER DENUNCIA?

A situação descrita anteriormente, de preferência por uma punição ao agressor, contrasta com a percepção dos entrevistados, pois 60% observam que, quando as mulheres denunciam, nada acontece ao agressor (27%) ou o agressor reage e a mulher volta a ser agredida (33%).

Pergunta: Pelo que conhece ou ouviu falar, quando a mulher denuncia essas agressões, o que acontece?

 

TOTAL

MULHERES

HOMENS

Total da amostra

(2.002)

(1.045)

(957)

 

%

%

%

QUANDO MARIDO FICA SABENDO, ELE REAGE E ELA APANHA MAIS

33

36

29

NÃO ACONTECE NADA COM O AGRESSOR

27

27

27

O AGRESSOR VAI PRESO

21

18

24

AGRESSOR RECEBE MULTA OU É OBRIGADO A DOAR CESTA BÁSICA

12

11

13

OUTROS

2

2

2

NÃO SABE / NÃO OPINOU

5

4

5

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

Com relação às conseqüências da denúncia, observam-se algumas variações regionais. A impunidade é mais percebida nas regiões Sudeste e Sul: nada acontece com o agressor (38% no Sul) ou a mulher volta a apanhar (36% no Sudeste); enquanto no Norte / Centro-Oeste 34% acham que o agressor vai preso, contra 13% no Sudeste e 17% no Sul.

Pergunta: Pelo que conhece ou ouviu falar, quando a mulher denuncia essas agressões, o que acontece?

REGIÃO

TOTAL

NORTE /
CENTRO-OESTE

NORDESTE

SUDESTE

SUL

Total amostra

(2.002)

(266)

(532)

(896)

(308)

%

%

%

%

%

QUANDO MARIDO FICA SABENDO, ELE REAGE E ELA APANHA MAIS

33

26

33

36

29

NÃO ACONTECE NADA COM O AGRESSOR

27

25

21

27

38

O AGRESSOR VAI PRESO

21

34

31

13

17

AGRESSOR RECEBE MULTA OU É OBRIGADO A DOAR CESTA BÁSICA

12

10

10

15

11

OUTROS

2

1

2

3

2

NÃO SABE / NÃO OPINOU

5

5

4

5

4

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

MAIORIA APONTA DELEGACIA DA MULHER COMO SERVIÇO MAIS PROCURADO

A grande maioria indica a delegacia da mulher (79%) ou serviços de atendimento à mulher (29%) como os que podem ser procurados em caso de violência.

Considerando que estes equipamentos e serviços não estão amplamente disseminados, pode-se afirmar que estas respostas expressam mais a demanda por esses serviços do que o efetivo comportamento das mulheres.

GRAU DE INSTRUÇÃO

TOTAL

ATÉ 4ª
SÉRIE

5ª A 8ª
SÉRIE

ENSINO
MÉDIO

ENSINO
SUPERIOR

 

(2.002)

(712)

(463)

(610)

(217)

 

%

%

%

%

%

DELEGACIAS DA MULHER

79

73

80

82

88

SERVIÇO DE ATENDIMENTO À MULHER

29

22

30

32

41

AMIGOS E FAMÍLIA

23

23

25

24

19

ASSOCIAÇÕES E GRUPOS DE MULHERES

14

12

16

15

16

HOSPITAL E POSTO DE SAÚDE

11

12

10

12

9

IGREJA / LÍDER RELIGIOSO

7

11

6

7

2

ATENDIMENTO TELEFÔNICO, Nº 180

6

4

7

7

6

NÃO SABE / NÃO OPINOU

2

4

0

0

1

TIPOS DE SERVIÇO OU APOIO MAIS PROCURADOS:
79% DELEGACIAS DA MULHER
29% SERVIÇO DE ATENDIMENTO À MULHER 
23% AMIGOS E FAMÍLIA
14% ASSOCIAÇÕES E GRUPOS DE MULHERES
11% HOSPITAL E POSTO DE SAÚDE
7% IGREJA / LÍDER RELIGIOSO
6% ATENDIMENTO TELEFÔNICO, Nº 180
2% NÃO SABE / NÃO OPINOU

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.
* Respostas múltiplas.

METODOLOGIA DA PESQUISA

Campo: de 17 a 22 de maio de 2006.

Universo e amostra: população brasileira de 16 anos ou mais. Foram realizadas 2.002 entrevistas pessoais, representativas da população adulta brasileira (mais de 16 anos). As entrevistas foram realizadas em 142 municípios. Todas as capitais e regiões constaram da amostra.

Margem de erro máxima: 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre os resultados com base no total da amostra (intervalo de confiança estimado de 95%).

SEGMENTAÇÃO DA AMOSTRA

Amostra total

(2002)

 

%

TOTAL

100

Sexo

 

MULHERES

52

HOMENS

48

Idade

 

16 A 24 ANOS

24

25 A 29

12

30 A 39

22

40 A 49

19

50 E MAIS

23

Escolaridade

 

ATÉ 4ª SÉRIE

36

5ª A 8ª SÉRIE

23

ENSINO MÉDIO

30

SUPERIOR

11

Regiões

 

NORTE/CENTRO-OESTE

13

NORDESTE

27

SUDESTE

45

SUL

15

Tipo de município

 

CAPITAL

27

PERIFERIA

14

INTERIOR

59

Tamanho de município

 

ATÉ 20 MIL ELEITORES

15

20 A 100 MIL

31

MAIS DE 100 MIL

53

Renda familiar

 

MAIS DE 10 Salários Mínimos

4

DE 5 A 10 SM

11

DE 2 A 5 SM

32

DE 1 A 2 SM

28

ATÉ 1 SM

18

NÃO OPINOU

7

Critério Econômico Brasil

 

CLASSE A/B

17

CLASSE C

40

CLASSE D/E

43

Fonte: Ibope / Instituto Patrícia Galvão, 2006.

O Instituto Patrícia Galvão encomendou uma nova pesquisa sobre violência contra as mulheres. Realizada pelo Ibope Opinião, em maio de 2006, com uma amostra representativa da população adulta brasileira, esta pesquisa contou com a análise de Fátima Pacheco Jordão e o apoio da Fundação Ford e do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher).

Acesse a íntegra da análise da pesquisa em PDF (244Kb)

Intitulada “Percepção e reações da sociedade sobre a violência contra a mulher”, esta pesquisa de opinião demonstra, com números e dados contundentes, que a sociedade não percebe com clareza a efetiva aplicação da lei nos casos de violência contra a mulher por todos os agentes que têm a responsabilidade de fazê-lo, desenvolvendo-se dessa forma uma sensação de impunidade e de ineficácia dos sistemas policial e judiciário.

Esta pesquisa dá continuidade ao trabalho que o Instituto Patrícia Galvão iniciou em 2004, ao realizar com o Ibope a pesquisa “O que pensa a sociedade sobre a violência contra as mulheres”, que revelou um alto grau de rejeição a esse tipo de violência. (Veja os dados dessa pesquisa no Portal Violência Contra a Mulher.

O Patrícia Galvão considera que as pesquisas de opinião são ferramentas de ação de grande impacto junto à opinião pública, ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário. Se muitas vezes os discursos e argumentos não conseguem sensibilizar e mover, uma pesquisa de opinião que evidencie a percepção da população frente a um dado problema tem o potencial de impactar e fomentar o debate e, ao mesmo tempo, de exigir respostas diretas dos poderes constituídos. Trata-se de uma ferramenta de comunicação estratégica e acessível, que permite um entendimento mais objetivo acerca das percepções, aspirações e tendências de pensamento da sociedade.